domingo, 14 de junho de 2015

Pobres ou ricos de espírito?

 Ser ou não ser, poderia ser a simples questão, se a mesma fosse assim tão fácil de perceber, mas a conversa de hoje no Sótão da Gina é um pouco confusa e até controversa quando se utilizam as expressões “pobres ou ricos de espírito”.

Quando se utiliza a expressão pobre de espírito, lembramo-nos das bem-aventuranças - “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mateus 5. 3), e é na sua interpretação que está o busílis desta conversa de hoje.

Pobres ou ricos de espírito
Em qualquer tradução, há muito que se perde quando não é feita de forma interpretativa e adequada ao idioma utilizado - por exemplo, costuma dizer-se que não há tradução para a palavra em português “saudade”, então imagine-se o que terá sido a tradução e interpretação antiga e original dos textos bíblicos.
  
De facto, na tradução mais antiga, a tradicional e conhecida frase da primeira bem-aventurança – “Pobres de espírito" a expressão, com o passar do tempo, foi perdendo o sentido original e é já há muito tempo mais conhecida por definir a pessoa como débil, rústica, insensível, ou alguém de pouca cultura ou até tola. Pobre de espírito, acabou por, no entendimento popular, ganhar um significado oposto ao sentido que era dado na Bíblia.

Pobres ou ricos de espírito
De contrário, e levando a tradução à letra, pensaríamos que Jesus Cristo estava a dizer-nos  que o Reino dos Céus pertence aos débeis, rústicos, insensíveis ou de pouca cultura, ou aos simplórios ou tolos? Cremos que não, cremos que na tradução o verdadeiro sentido perdeu-se.

A versão baseada na tradução do grego existente na Vulgata latina, feita por S. Jerónimo numa época em que os manuscritos antigos eram dados como confiáveis foi imprimindo na memória das pessoas a ideia de que o Reino dos Céus seria herdado pelos “pobres de espírito”.

Há traduções recentes em que se interpreta a expressão de pobres de espirito como espírito de pobre, coração de pobre ou humildes de espírito, e até aqui se gera confusão porque em português confunde-se muito o ser pobre com ser humilde e nem sempre isto se refere à realidade - a humildade é uma forma de caracter, enquanto que a pobreza é um estado devido a uma circunstancia.

Tal e qual como a nossa palavra “saudade” em português ser de difícil tradução, também do original grego a palavra “ptõchoi”  que deriva de "ptóchos", e que significa mendigo ou alguém que mendiga, separa-se totalmente da ideia de que a tradução da frase original em grego pode ser a de pobre porque na verdade a  palavra pobreza é “penia” em grego.

Confuso? Bastante… controverso também… e de certa forma não queremos que a conversa se torne um verdadeiro enfado, por isso terminamos esta análise das traduções referindo apenas que o que pode ter acontecido foi o facto de o português não ter sido traduzido directamente do grego mas sim do latim, daí a palavra grega "ptóchos" virou “pauper” em latim e em português passou para “pobre”.

Pobres ou ricos de espírito
Assim, no Sótão da Gina é nossa convicção que o que Jesus disse foi algo assim:

“Bem- aventurados os que mendigam em espírito”, ou numa linguagem mais actual “bem- aventurados os que pedem em espírito”.

No fundo, e de forma interpretativa, pedir de forma humilde, pura e muito rica em espírito será a melhor forma de pedir seja o que for e a quem for, não acham?

Para terminar, no Sótão da Gina pensamos que ser rico em espírito é a melhor  maneira de estarmos em sintonia com as mensagens que Jesus nos deixou e saber interpretá-las de forma correcta aos dias de hoje, para nosso proveito, pode ser  verdadeiramente útil e  inteligente. Saber compreender a frase “pobres de espírito” é definitivamente importante para perceber o seu verdadeiro sentido; entre pobres ou ricos de espírito há sem dúvida uma grande diferença, e o autentico conselho que nos foi dado e mensagem pedagógica contribui para sermos melhores, verdadeiros e definitivamente muito ricos em espirito porque só assim saberemos estar e ser felizes.   
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