sábado, 20 de fevereiro de 2016

Austeridade

  – esse grande palavrão, esse grande vilão, esse grande papão


Hoje no Sótão da Gina fala-se sobre a utilização excessiva da palavra austeridade e a razão perversa que muitos têm em dar-lhe uma conotação negativa. Tentando não entrar muito a fundo numa conversa política mas apenas ficando pela análise sobre a palavra austeridade (esse grande palavrão, esse grande vilão, esse grande papão) e o seu verdadeiro significado e aplicação no dia-a-dia, mas antes de avançarmos para a palavra austeridade em si vamos analisar um pouco o que é ser austero.


Ser austero significa ser rigoroso –tão simples quanto isto!

Para quem em Portugal nasceu antes do 25 de Abril de 1974, e já era crescidote antes da Revolução dos Cravos, sabe bem que éramos criados por pais austeros, e porquê?  - Porque era assim naquele tempo… primava-se pelo rigor em tudo incluindo na educação – havia exageros e excepções como em tudo, mas o resultado era em grande maioria positivo. Traumas há sempre – por isso apesar de pessoalmente achar que foi adequado tudo o que se aprendeu naquele tempo sobre o rigor, há quem não concordasse e logo no dia a seguir à revolução veio para a rua gritar que daí em diante não haveria mais rigor, e que a quase anarquia seria o caminho a seguir.

O resultado está à vista.

Confundiu-se naquele então muita coisa; vivíamos com um governo ditador e após o 25 de Abril mudou-se isso – passou a haver não só o direito a voto, como também liberdade de expressão em relação a assuntos de índole política. Deveria ser apenas isto, de forma simplista sim, mas apenas isto, a entender porque só isto havia alterado... mas não; os traumatizados entenderam que deveria ser tudo diferente e que o rigor era algo do passado, do tempo do outro senhor.

Austeridade – esse grande palavrão, esse grande vilão, esse grande papão

Ainda hoje se confunde a diferença entre viver em ditadura com a actualidade e continua a reflectir-se na sociedade portuguesa porque é transmutada de geração em geração. Para além desta confusão há a da ideologia que está a transtornar muitas mentes, e a impedir de ver a realidade tal como ela é.

Ser austero passou a ser olhado como algo repelente, porque a anarquia era algo bem mais apetecível, era mais giro ser rebelde, mas para tal haveria sempre alguém a amparar os exageros, os devaneios, a libertinagem, o chico-espertismo – havia e há – há sempre alguém a limpar os estragos de uns em detrimento de outros!

O conforto de uns (perdoem o pleonasmo) não deveria nunca significar o desconforto de outros! 

Avançando para a palavra de hoje que nos levou à conversa - austeridade – esse grande palavrão, esse grande vilão, esse grande papão, depois de introduzido o termo austero que significa rigor, é evidente que austeridade significará utilizar rigor e em economia será nada mais que rigor no controle de gastos ou nas contas.

Ora se depois de 1974 tantos deixaram de acreditar no rigor como modo de vida, rapidamente chegaram também ao descontrole dos gastos públicos, e daí em diante tem sido um descalabro cada vez mais gigantesco. Assim, continua-se num modo de vida do tipo - uns a trabalhar muito para sustentar outros, em vez de todos trabalharem para o bem comum de forma equitativa e equilibrada.

Austeridade – esse grande palavrão, esse grande vilão, esse grande papão

A pergunta que se faz hoje é:  – é afinal assim tão mau ser austero e utilizar a austeridade quando na realidade isso significa ser rigoroso e valer-se do rigor e equilíbrio de tudo na vida incluindo as contas próprias e as públicas?

Por aqui imaginamos as respostas – mas enquanto nos bombardeiam com a ideia de que ser austero e a austeridade é um mal dos mais maléficos que há no mundo e arredores, porque quem o faz defende apenas e exclusivamente os seus interesses próprios ou da empresa ou instituição que representa – gostamos de pensar por nós próprios, sem ir atrás de qualquer credo, fé, crença ou ideologia.

Reflectimos e indignamo-nos com a forma perversa como a palavra austeridade é utilizada e replicada – consideramos que é repugnante; vai muito além da demagogia porque serve propósitos muito concretos de derrubar uns com prejuízo para outros e isto não é de todo viver em democracia.

Politiza-se demasiado a vida em Portugal!

Ao ouvir a sociedade civil falar de política e políticos no dia-a-dia, até parece que somos o país com o maior número de licenciados em Ciência Política, de facto ouve-se falar demasiado sobre muitos temas desconhecidos, repete-se e replica-se até as mentiras à exaustão (…), e responsabiliza-se por vezes os outros em vez de olharmos para nós e perguntarmos se estamos a fazer algo para mudar a situação ou simplesmente olhamos e criticamos!?...


Austeridade – esse grande palavrão, esse grande vilão, esse grande papão
Aquela parte da sociedade portuguesa que ainda não conseguiu adaptar-se a viver em democracia - com liberdade de voto, liberdade de expressão e a devida percepção de que há direitos e deveres a ser cumpridos com rigor, onde a contribuição de cada um, se deve não só através de uma cidadania cívica, que inclui o pagamento de impostos por todos e para todos  - continuará a espernear e a gritar “ o rei vai nu” a ver se, o resto da sociedade que se adaptou e evoluiu, vai na sua conversa e replica aos sete ventos que a austeridade – esse grande palavrão, esse grande vilão, esse grande papão é que tem culpas no cartório em vez de assumir que ao descartar o valor do rigor, descontrolaram-se, descarrilaram e não querem pôr mãos à obra para a reviravolta necessária ao bem de todos em vez de apenas alguns.
Ler mais »

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Quem Manda Sou EU

Em criança, muitos de nós,  habituámo-nos a ouvir a frase que está no tema de conversa hoje no Sótão da Gina, e a razão pela qual falamos sobre a mesma é, de facto, para analisar o peso que tem durante o resto da vida de cada um de nós, quando repetidamente ouvimos dizer “quem manda sou eu”.

A interlocutora, nunca usou tal frase para impor quer que seja, apesar de ter filhos  adultos e ter tido alunos,  no entanto enquanto filha e aluna, ouviu a infeliz frase “quem manda sou eu”, ou suas derivantes, que na altura lhe impedia vontades, lhe tolhia passos, lhe cortava desejos e lhe soava a autoritarismo puro, duro, e sem qualquer explicação, sentido ou até necessidade.

Quem Manda Sou EU

Soava antes, soa hoje –“quem manda sou eu” é igual a autoritarismo sem qualquer sentido, mas também pode ser a falta de poder de argumentação, a impossibilidade de explicar os prós e contras, ou a falha em saber implementar a simples pedagogia, contida na ideia de que tudo é possível mas nem tudo é aconselhado.

Razões para a utilização da prepotente frase podem ser várias, e ainda que, para alguns pareça ser porque existe um vazio de conteúdo para dar qualquer explicação, será de lembrar e relembrar que a tirânica frase “quem manda sou eu” pode condicionar a criança, que se vai convertendo em jovem e chega a adulto pensando no peso que a mesma  teve e tem para o seu desenvolvimento pessoal como pessoa que nasce com o seu livre arbítrio, e começa a duvidar -  para que isso serve  - se pela vida fora lhe forem lembrando que quem manda é sempre alguém que não o próprio (!?).

Quem Manda Sou EU
Na sociedade de hoje, em que de maneira geral, se pensa que tudo é permitido, é urgente ensinar e enfatizar que há sempre consequências em todos os nossos actos, em vez de simplesmente achar que se utilizar a frase – quem manda sou eu – vai solucionar o problema.

Há quem aprenda, tal como quem vos escreve, que aquela frase que ouvira sucessivamente seria algo que nunca viria a utilizar quando já tivesse a idade da emancipação de então (18 anos); há no entanto quem considere que se foi vítima da frase quando criança e jovem, deve repeti-la hoje e sempre porque só assim impõe a sua autoridade.

A liberdade de pensamento, o livre arbítrio nas acções - nos objectivos e suas consequências, a diplomacia e boa educação, o apoio no discernimento do que é aconselhável (ou não), devem ser temas prioritários na pedagogia a utilizar, em vez, do débito directo e curto da frase “quem manda sou eu”, que muitas vezes se segue com - e não se fala mais nisso, ponto final!

Quem Manda Sou EU
A pensar, a falar, a explicar é que as pessoas se entendem – e no Sótão da Gina chegámos à conclusão que a frase “quem manda sou eu” é das mais infelizes e a ser evitada no leque de vocabulário de quem quer que seja, mas se entre os leitores houver algum psicólogo gostaríamos de saber a sua opinião!

De qualquer forma cremos que chegou o momento de reflexão sobre o respeito pelo próximo, e assim viver uma vida completamente nova, usando métodos diferentes e pedagógicos.

Como há sempre um polo negativo e um positivo, nesta conversa toda enfocámos mais o negativo, mas a título de encerramento deste raciocínio, que tal pensar que a frase “quem manda sou eu” pode ser bem positiva se precisar ou pretender dar uma ordem à sua vida e disser a si próprio, ao seu eu, ao seu pensamento, que quem manda nela (na sua vida) é mesmo você?  






Ler mais »

Subscreva o Sótão da Gina por email para não perder novas actualizações

Enter your email address:

Delivered by FeedBurner

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...